Tasha & Tracie (por vezes chamadas de Tasha e Tracie) é uma dupla de rappers brasileiras formada pelas irmãs gêmeas Tasha Okereke e Tracie Okereke, que atuam na arte, moda, ativismo e musica. Elas unem o rap com o funk em suas canções e abordam diversos temas ligados a cultura negra, vivência periférica, sexo e ostentação, falando sobre moda, confiança e autoestima.
Tasha Okereke e Tracie Okereke cresceram no Jardim Peri, na Zona Norte de São Paulo, são filhas de Roseane Aparecida do Nascimento e de James Okereke. Okereke é um sobrenome de origem africana, vindo do pai que é nigeriano, já a mãe delas, é brasileira. Ambos foram presos em momentos diferentes por motivos não revelados, o que fez com que as meninas alternassem entre as casas deles, na infância. Também houve um período em que a mãe, com quem passaram a maior parte dessa fase da vida, mudou-se para outra cidade e elas, já adolescentes, tiveram que se sustentar. Já foram camelôs, trabalharam em loja, restaurante e telemarketing. Aos 17 anos, já moravam sozinhas e precisavam trabalhar para pagar o aluguel.
Irmãs do Bitrinho, um dos fundadores da Batalha do Santa Cruz, as irmãs ainda muito jovens começaram a frequentar uma das batalhas de rima mais importantes da cena de rap paulistana, responsável por revelar nomes como Projota, Emicida e Rashid. Só que não necessariamente para rimar. Tímidas na época, conheceram Drik Barbos e foram incentivadas pela rapper a começarem o blog Expensive $h1t, sobre a valorização da autoestima e da autonomia de jovens negros da periferia por meio de conhecimento, arte e moda.
A ascensão começou com o lançamento do EP Rouff (2019) e se consolidaram com o EP Diretoria (2021). A boa repercussão do disco rendeu convite para participarem dos álbuns de Ludmilla, Djonga, Gloria Groove: Vilã (2023), O dono do lugar (2022) e Lady Leste (2022), respectivamente.
Além de MC's, atuam e/ou já atuam como DJ'S (aprenderam tudo sozinhas sem os equipamentos necessários e sob olhares julgadores), colunistas, diretoras de arte, estilistas, designers e palestrantes. Além do Expensive $h1t, são também criadoras do movimento it favela, do coletivo MPIF e EHXIS , seu novo projeto.
Até que em 2025, as irmãs debutam seu primeiro álbum de estúdio, intitulado como Serena & Venus (Lado A), Onde trazem o lado mais afetivo e intimista de Tasha e Tracie. O trabalho conta com participações de Liniker, Bivolt, Nath Fisher.
Serena & Venus (Lado A), em toda curta e ao mesmo tempo vasta discografia de Tasha & Tracie é o único trabalho com atmosfera gélida e sombria. Perpassa pelo lado melancólico — ao mesmo tempo agressivo — do rap brasileiro da década de 90, algo que é escancarado, por exemplo, na faixa 'Sem Perceber' e na que dá nome ao disco 'Serena & Venus'. É algo pessoal, delicado e muito bem desenvolvido, já que o Point Of View advém delas enquanto filhas de pais que passaram pelo sistema carcerário. E nisso, feito com excelência, trouxe a história de uma mulher que é atravessada pelo mundo do crime juntamente de um cara, o que faz um paralelo com minas no mundo do hip-hop.